Há lágrimas nos olhos destes jovens reunidos às centenas no Largo do Município. "Depois de uma prova nacional de Matemática (12.º ano) não há nada melhor do que soprar uma vuvuzela. E vamos ganhar", afirmava João Pedro Gonçalves, 18 anos, acompanhado por um grupo, todos de "minis" na mão. Mal sabiam eles que a festa portuguesa ia ser grande, 7-0. "Nem acredito. Eles que guardem alguns golos para o Brasil." O golo de Ronaldo foi a euforia colectiva. Um orgulho da terra. "Cristiano é um madeirense como nós. Nasceu aqui. Conhecemo-lo. Ele é a nossa ilha. Ele tinha de marcar", afirmava uma jovem de 15 anos, Ana Pita. Quanto a Danny (ontem no banco) os corações já se dividem : "Gostamos dele. É um excelente jogador, podia ter substituído o Deco. Para nós, Ronaldo e Danny são a mesma coisa", diz Bruno Santos, mas é logo contestado. "Não é a mesma coisa. O Danny é lusodescendente, nasceu na Venezuela, está mais afastado da nossa terra. Não conviveu connosco. Mas, se o Danny tivesse entrado, também gritávamos por ele. Aqui não há apartheid", diz Duarte Rodrigues, o homem que explora os bares improvisados do recinto, feliz pelo número de vendas de cervejas e sandes. . "Este resultado dá-nos ânimo para trabalhar. Estávamos a precisar disto. Mas foi também a vitória da democracia contra a ditadura", exclama Carlos Oliveira, pedreiro de 57 anos. "O Queiroz é agora o melhor do mundo. Adeus, Coreia (do Norte). Olá, Brasil!", repetia Dulce Faria, de 68 anos, que se levantou às 06.00 da manhã para "deixar comida feita para toda a família e poder estar aqui". Género masculino no futebol só na gramática.."Esperava que Portugal ganhasse por um ou dois a zero. Por tantos golos nunca pensei", dizia após gritos de alegria e saltos no meio da euforia, Cátia Meireles, sportinguista, 18 anos, que integrava uma claque de jovens estudantes de Humanísticas da cidade de Quarteira (Loulé), no SeteCafé, bar do ex-futebolista Luís Figo e de Paulo China, na Marina de Vilamoura. Tal como outras amigas, Cátia apontou o guarda-redes Eduardo, "por ser seguro", como o melhor da selecção das quinas. Receia, porém, que a goleada "possa transmitir excesso de confiança da equipa frente ao Brasil". Já para Filipa Brás, de 17 anos e benfiquista, que esteve "muito nervosa" durante o jogo, o melhor golo foi de Simão Sabrosa. Catarina Martins, de 17 anos, adepta do Sporting ,rouca e com unhas ruídas, foi "um jogo em que a Coreia de Norte deu algum trabalho no início".. Ao fazer as honras da casa, Paulo China reconheceu que a selecção encarou o jogo frente aos norte-coreanos "como uma final". A seu lado, o futebolista Alan Thompson, do Celtic de Glasgow (Escócia), de férias no Algarve, entende que a goleada portuguesa até "não foi exagerada", comentava. Agora venha o Brasil. Com J. M. O.